German molecular pâtissière. Little Miss Alchemist. Precision, discipline, and volatile art. Der Geist beherrscht die Materie.
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Cooking new recipes or going to a restaurant you’ve never been before?
Cooking new recipes, no doubt! I really love discovering restaurants, but I’m much happier causing a beautiful little disaster in the kitchen first. I love the part where something begins as an idea and ends up becoming edible. Little fun fact: people in my city call me alchemist, and I have a reputation to maintain!!!
Are you into movies, tv shows? Tell me your favorites.
I am, painfully so. But this is a tricky question because I would need a ridiculous amount of time to answer it properly. Movies and shows are one of my biggest passions, so talking about my favorites makes me feel weirdly exposed, ngl. Like… why am I handing you my emotional fingerprints so casually?
For films, I love Gone With The Wind, The Red Shoes, Picnic at Hanging Rock, Hiroshima mon amour, Rear Window and Chéri. For shows, I have a soft spot for Fleabag, Breaking Bad, The Queen’s Gambit, Killing Eve, Mad Men and The Marvelous Mrs. Maisel. So yes, I am very into them. I just get a little dramatic when someone asks about this, lol. Favorites are funny like that, because they look casual until you realize they are basically tiny confessions.
What is your favorite thing to do when you need some time for yourself?
I think people expect me to say reading or listening to music, and I do love those, but tbh… when I need time for myself, I like swimming or driving.
Swimming helps because it gives me something simple to focus on: pace, breathing, the feeling of my body actually doing what I ask of it. Driving is similar, in a way. I like the control of it, choosing a direction, watching the city move without needing to be part of it for a while. It clears my head. And… I love cooking too, but I feel like that is almost too predictable coming from a chef, lol.
It's almost cruel that you exist so naturally.
Almost cruel? No, my love, cruel is leaving a sentence like that behind and not telling me who I should be blaming for it. If I exist cruelly, you are not exactly innocent either.
qual a sua orientação sexual????
Me considero heterossexual. Até hoje, só me envolvi com homens, então é o que faz sentido para mim. Mas também acho que existe uma curiosidade natural em estar viva, em perceber pessoas, beleza, presença, identidades… sem precisar transformar tudo em uma definição imediata.
Qual foi a sua melhor viagem e o que fez ela se tornar a sua favorita?
Minha melhor viagem foi para o Japão aos 15 anos, um destino que se tornou meu favorito por ter sido o cenário exato onde despertei duas das minhas maiores paixões. Foi lá que me apaixonei por gastronomia — pela delicadeza, pelo ritual, pela atenção absurda aos detalhes — e, curiosamente, por carros também!
Devolvendo a pergunta que achei muito interessante: em qual obra você gostaria de passar uma semana se tivesse a oportunidade e o que faria por lá?
Muito obrigada, Alescio, nunca pensei que receberia essa pergunta de volta… mas vamos lá! Eu escolheria passar dentro de Lettres Portugaises, as Cartas Portuguesas.
Cinco cartas. Só cinco, escritas por uma freira no século XVII para o homem, um oficial francês, que a amou e foi embora, e que carregam mais desejo genuíno e mais dignidade ferida do que a maioria dos romances consegue em trezentas páginas. Não se sabe ao certo se Mariana Alcoforado — que de fato existiu — escreveu essas cartas ou se um autor francês inventou sua voz. Essa ambiguidade, longe de diminuir a obra, torna-a ainda mais perturbadora. A escrita é direta, sem ornamento algum, e é exatamente essa ausência de adorno que a torna impossível de esquecer!
Passaria a semana no convento de Beja, em Portugal, onde a história teria acontecido. Acordaria com a luz da manhã entrando pelas janelas estreitas, caminharia pelos corredores de pedra em silêncio, leria as cartas em voz baixa, devagar, uma por dia, deixando um certo espaço de tempo entre elas para dar uma semana certinho. À tarde ficaria no jardim com o sol ainda quente de setembro, escrevendo sem objetivo, apenas deixando as palavras de Mariana fazerem o que fazem com quem presta atenção. Jantaria cedo, dormiria com as janelas entreabertas ouvindo o vento, e acho que sairia de lá entendendo algo sobre amor e sobre perda que antes eu apenas intuía sem conseguir nomear.
Quais suas comidas favoritas, no geral? — 🐺
Meu paladar é um tanto quanto nômade, gatinho, mas confesso que tenho um ponto fraco por gastronomia afetiva e técnica ao mesmo tempo. Eu sou completamente apaixonada por risotos bem executados com a cremosidade exata. Também não resisto a uma boa massa fresca, em todas as variações que ela se apresenta… ou até mesmo um confit de pato clássico, que me traz boas memórias do restaurante que trabalhei em Paris. Eu tenho uma relação muito próxima com o Sauerbraten, é um assado alemão marinado por dias, a carne fica tão macia que desmancha!!! E para fechar, algo bem minimalista, um bom queijo brie com favo de mel e figos. É o equilíbrio perfeito. Mas agora acabei de notar uma falha grave… eu acho que nós nunca falamos sobre os seus gostos, não é? O que faz o seu coração bater mais forte à mesa? Eu adoraria saber, por favorzinho!
Se todas as pessoas esquecessem quem você é amanhã, o que você tentaria reconstruir e o que você deixaria ir embora de vez?
Se o mundo acordasse sem saber meu nome, minha origem ou minhas falhas, eu deixaria ir embora, de vez, a necessidade de atender a expectativas que nunca foram minhas. Eu me despediria da “obrigação” de ser sempre a fortaleza inabalável, a mulher que não pode errar o tom. Deixaria que o esquecimento levasse o peso de todos os “nãos” que eu disse para mim mesma apenas para manter as aparências de uma vida perfeitamente orquestrada. É exaustivo carregar algo que exige que você seja impecável o tempo todo, não recomendo nem para o meu pior inimigo. O que eu tentaria reconstruir? A minha espontaneidade. Eu lutaria para reconquistar a capacidade de me encantar com as coisas pequenas sem medo de parecer vulnerável ou menos aos olhos dos outros. Reconstruiria meus laços baseados apenas na afinidade da alma, e não no que eu posso oferecer ou representar socialmente. Eu buscaria de volta aquele brilho nos olhos que eu tinha quando era criança, aquela Selina que sentia tudo à flor da pele antes de aprender que precisaria de uma armadura para sobreviver.
De onde surgiu o seu amor pela cozinha? Curioso para saber tudo o que te trouxe até aqui nesse sentido. ;) — 🐺
Surgiu de um desvio de rota inesperado, meu lobinho mais lindo! Deixa eu te explicar, se eu tivesse seguido o script original da minha família, hoje estaria em tribunais ou escritórios, focada no Direito. Era o caminho “natural”, posso dizer assim, mas ainda faltava alma. Tudo começou de forma despretensiosa, assistindo a programas culinários. Fiquei fascinada pela transformação dos elementos e o amor que colocavam em cada prato, mas a paixão me arrebatou de verdade em uma viagem ao Japão. Ao visitar uma cozinha tradicional e ver aquela disciplina praticamente sagrada, o respeito pelo ingrediente e a busca pela perfeição, eu entendi que não era apenas a comida, era arte, controle, amor... foi ali que decidi que as panelas seriam o meu palco, e não os códigos jurídicos!!! Deixei a herança da família Von Lichtwald de lado para construir a minha própria. ‘🩷!
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