Se todas as pessoas esquecessem quem você é amanhã, o que você tentaria reconstruir e o que você deixaria ir embora de vez?
Se o mundo acordasse sem saber meu nome, minha origem ou minhas falhas, eu deixaria ir embora, de vez, a necessidade de atender a expectativas que nunca foram minhas. Eu me despediria da “obrigação” de ser sempre a fortaleza inabalável, a mulher que não pode errar o tom. Deixaria que o esquecimento levasse o peso de todos os “nãos” que eu disse para mim mesma apenas para manter as aparências de uma vida perfeitamente orquestrada. É exaustivo carregar algo que exige que você seja impecável o tempo todo, não recomendo nem para o meu pior inimigo. O que eu tentaria reconstruir? A minha espontaneidade. Eu lutaria para reconquistar a capacidade de me encantar com as coisas pequenas sem medo de parecer vulnerável ou menos aos olhos dos outros. Reconstruiria meus laços baseados apenas na afinidade da alma, e não no que eu posso oferecer ou representar socialmente. Eu buscaria de volta aquele brilho nos olhos que eu tinha quando era criança, aquela Selina que sentia tudo à flor da pele antes de aprender que precisaria de uma armadura para sobreviver.
A verdade é que eu daria uma de Lucy Gray.
Reconstruiria tudo aquilo que me faz sentir viva, principalmente a minha carreira, porque criar, cantar e transformar sentimentos em algo palpável é uma das poucas coisas das quais tenho certeza sobre mim. Tentaria reconstruir também as amizades genuínas que construí, porque são algo que considero indispensável. O que eu deixaria ir embora seria o meu perfeccionismo e a obsessão pelo olhar dos outros; passar tempo demais querendo ser entendida do jeito “certo” é exaustivo.
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