Você acha que há alguma parte de você que é frequentemente escondida dos outros? E se há, por quê?
Acho que sim. As pessoas costumam conhecer a minha presença antes de conhecerem a minha profundidade. Existe uma versão minha muito silenciosa, muito cansada… que quase ninguém vê, porque eu aprendi cedo que vulnerabilidade nas mãos erradas vira espetáculo.
Então eu escondo certas dores atrás de humor, estética, ironia, trabalho. Não porque eu queira parecer inalcançável, mas porque algumas partes minhas ainda estão tentando entender se o mundo é realmente um lugar seguro para existir sem armadura.
Acredito que dentro de cada um de nós exista algo que não compartilhamos com todos, algo quase secreto. No meu caso, sinto que esse “algo” está mais ligado ao campo religioso, embora eu não tenha certeza de como explicar exatamente.
Há sim, quase tudo de mim. Eu digo que guardo detalhes sórdidos a meu respeito para que me conheçam. O que eu demonstro sei que é muito, entretanto também é pouco, quem convive comigo mais intimamente consegue visualizar partes de mim muito únicas. É algo natural, eu não costumo fazer um balanço comportamental de quem eu sou ou de como eu sou, e quero ser, eu apenas… sou. Eu mesma. E nisso de ser eu mesma, automaticamente eu acabo sendo mais cautelosa sobre o que de mim posso oferecer.
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