Qual emoção você finge não sentir, mas que controla muitas das suas decisões?
Acho que o medo. Não aquele medo óbvio e desesperado que é fácil de reconhecer. O meu costuma aparecer de formas mais silenciosas como no excesso de controle, na necessidade de prever tudo, na dificuldade de deixar certas pessoas se aproximarem demais. Passei muito tempo fingindo que minhas decisões vinham apenas da lógica ou da racionalidade. Mas, sendo honesta, muitas delas nascem do simples desejo de evitar perdas, de evitar repetir dores, de evitar entregar algo que talvez não volte inteiro. Talvez seja exatamente por isso que demorou tanto para eu perceber o quanto ela influencia quase tudo.
A expectativa. Não no sentido ingênuo da palavra, não espero que o mundo seja justo ou que as coisas saiam como planejei, essa é uma aposta com retorno inconsistente. Mas existe uma expectativa muito mais difícil de admitir: a de que certas pessoas vão corresponder à atenção que recebem. Que o cuidado e a clareza que ofereço vão encontrar, em algum momento, algo de igual qualidade do outro lado. Finjo não sentir porque expectativa, na narrativa que construí para mim mesma, não combina com a lucidez que tanto prezо para a minha vida. Sendo sincera, não deveríamos nos surpreender quando as coisas não chegam à altura do que imaginamos, correto? Mas, ainda assim, eu me surpreendo. Com uma regularidade que já deveria ter me ensinado algo, definitivamente, mas que insiste em chegar como se fosse a primeira vez.
Eu finjo que não sinto apego… mas, no fundo, é ele que decide até onde eu vou, e até onde eu fico.
Não me orgulho, mas meu ódio acaba controlando boa parte das minhas ações, me tornando mais impulsivo e suscetível a fazer tudo o que eu jamais faria em outras circunstâncias. Até tento ignorar, mas é complicado, e acaba sendo o sentimento que mais aparece no dia a dia. Estou trabalhando nisso, inclusive.
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