O que em você só existe porque alguém um dia te machucou?
Algumas das minhas melhores qualidades vieram de lugares que não foram gentis. Controle, precisão emocional, independência, gentileza é muito mais. São partes de mim que funcionam bem, que até admiro, mas que, se pudesse escolher, talvez preferisse ter aprendido de outra forma.
A disciplina, a autossuficiência, o hábito de não depender de nada que não possa me dar sozinha… essas existem, e parte delas veio de lugares que doeram. Mas isso todo mundo sabe sobre si mesmo, e não me parece ser o que você realmente perguntou, não é, minha doce Moreau?
O que existe em mim só porque alguém me machucou — e que não existiria de outra forma — é uma atenção bastante específica ao que as pessoas não dizem. Aprendi a ler o que fica entre as palavras antes de processar as palavras em si. Gustave Flaubert escreveu que a linguagem é um caldeirão furado com o qual fazemos música para fazer ursos dançarem, quando queríamos comover as estrelas. Entendi isso tarde demais para ser útil na época, mas finamente entendi. E desde então, confio muito mais no silêncio de alguém do que no vocabulário que escolhe. Às vezes até me pergunto o quão diferente seria ter chegado a essa mesma leitura por um caminho menos custoso, mas não consigo imaginar.
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