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O que você tolera em si mesmo que não toleraria em ninguém ao seu redor? E por que a régua é diferente quando você é o assunto?
Tendo a ser bem mais permissivo com as ações e faltas alheias que com as minhas. Acredito que, no comportamento do outro, existe toda uma dimensão a qual não temos acesso — o indivíduo e suas bagagens, suas razões — e nunca poderemos compreender ao todo. Essa ignorância da totalidade daquilo que motiva o outro abre um espaço, também, para a tolerância. No geral, sou bem mais tolerante com os outros do que comigo mesmo porque a mim não são misteriosas as motivações e desdobramentos daquilo que faço. (Isso é, muitas vezes, um grande problema).
Voltando à sua pergunta, acredito que a resposta mais apropriada seja que não há nada que tolero em mim que seja intolerável no outro. O que mais busco, de certa forma, é estar completamente aberto ao próximo, em seus erros e acertos; talvez àquilo que mais direcione a forma com que me movo através da vida seja mediar tudo o que eu faço levando em consideração que não gostaria de fazer com o outro aquilo que não quero que seja feito a mim.
Existe, ainda, muito espaço para reflexão sobre essa pergunta (certamente estarei pensando nela ao longo da semana), e talvez alguns furos em minha resposta que só notarei depois de algum tempo refletindo. Mas é uma ótima e interessante questão! Adoraria discutir sobre.
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