Anonymous Coward · 27d

Olivia, às vezes me pergunto em que momento da vida duas pessoas deixam de ser completas desconhecidas e passam a ocupar um lugar tão bonito na vida do outro. Antes de te conhecer, eu não sabia da tua risada, das conversas que parecem não ter hora para acabar, nem de como algumas horas na tua companhia seriam capazes de se tornar lembranças às quais volto com um sorriso no rosto. E, agora que sei, gosto de pensar em todas as pequenas coisas que precisaram acontecer para que nossos caminhos se cruzassem. Quantas escolhas, quantos desvios, quantos dias comuns foram necessários para que, em algum momento, eu pudesse conhecer você?

Gosto de ti nas coisas que talvez nem percebas. Na conversa que se estende porque nenhum dos dois parece ter vontade de encerrá-la, no riso sem motivo e antes mesmo de terminarmos uma frase sequer, na facilidade com que um assunto leva a outro até perdermos a conta de tudo o que dissemos. Gosto da liberdade de estar contigo sem precisar pensar tanto no que fazer ou dizer, de poder compartilhar uma bobagem e descobrir que ficou muito mais engraçado só porque você estava ali. Existe um conforto raro em encontrar alguém com quem até o tempo livre ganha propósito, alguém cuja presença faz qualquer programa parecer bom e cuja ausência deixa até os lugares conhecidos com um pouco menos de graça.

Às vezes, penso em como seria estranho se nunca tivéssemos nos conhecido. Você estaria por aí, vivendo a tua vida, e eu estaria vivendo a minha, sem fazer ideia de tudo o que estava perdendo. Talvez cruzássemos na rua sem nos olhar, talvez estivéssemos no mesmo lugar em dias diferentes, talvez uma conversa que nunca aconteceu fosse a única coisa que nos separasse de uma amizade inteira. Gosto de imaginar essas possibilidades, embora nenhuma me agrade tanto quanto a vida que de fato nos trouxe um ao outro. Há algo bonito em saber que, entre tantas pessoas que passam por nós sem deixar mais do que uma lembrança vaga, algumas ficam. E você ficou de um jeito que me faz querer descobrir tudo o que ainda não sei sobre você.

Sei que pode parecer um tanto romântico atribuir essas coisas ao destino, mas confesso que gosto da ideia de que certos encontros encontram um jeito de acontecer. Não imagino que exista uma estrela encarregada de decidir cada passo nosso, nem que o universo tenha preparado um roteiro para que seguíssemos à risca. Prefiro pensar que, em meio a todas as possibilidades, a vida nos deu esta: a de nos conhecermos e descobrirmos, pouco a pouco, o quanto é bom ter um ao outro por perto. E, se isso não for destino, então foi uma sorte danada, a que eu não trocaria por nada.

Se me perguntassem onde te guardaria, eu diria que nas minhas melhores lembranças, mas isso não seria inteiramente verdade. Quero você também nos dias que ainda não aconteceram, nas histórias e piadas que ainda vou te contar, nas risadas que ainda vamos dividir e nos assuntos que nem sequer imaginamos ter. Quero a tua presença nas pequenas partes da vida que, vistas de fora, talvez não pareçam grande coisa, mas que, para mim, ganham outro valor quando posso compartilhá-las contigo.

E, se houver outras vidas depois desta, se em algum lugar existirem outras versões de nós, com outros nomes e outras histórias, espero que tenhamos a mesma sorte. Talvez eu não te reconheça de imediato. Talvez você tenha outro sorriso, outra voz, outro jeito de contar as próprias histórias. Mas gosto de imaginar que acabaria me aproximando de você mesmo assim, atraído por alguma coisa que não saberia explicar, até descobrir que a tua companhia me faz bem de uma maneira que não encontro em qualquer lugar. E, quando percebesse, estaria outra vez querendo prolongar uma conversa, inventar motivos para ficar mais um pouco e guardar detalhes teus que provavelmente nem você considera importantes.

Pois há pessoas de quem gostamos, e há pessoas cuja companhia se torna uma das nossas partes favoritas da vida. Você é dessas, Olivia. E, se me fosse permitido voltar ao dia em que ainda não te conhecia, sabendo tudo o que sei agora, não pediria que me mostrassem quando ou onde te encontraria. Deixaria que a vida seguisse seu curso, com todos os seus desvios, porque não gostaria de perder nenhum dos passos que me trouxeram até você. Afinal, entre todas as coisas bonitas que poderiam ter me acontecido, uma das minhas favoritas foi ter encontrado você. E, se o destino teve alguma coisa a ver com isso, espero que ainda tenha muitos outros encontros nossos para colocar no caminho.

Acho que existem encontros que não precisam de grandes explicações, apenas da sorte bonita de terem acontecido. E, sobre outras vidas, espero que você tenha razão. que, mesmo que o mundo fosse outro e nossas histórias fossem completamente diferentes, ainda existisse alguma maneira de nos reconhecermos. Porque no fim, não importa muito se foi destino, coincidência ou apenas uma sorte absurda. o que importa é que aconteceu. Afinal, algumas pessoas são boas demais para pertencer a apenas uma versão da nossa história.

Revospring uses Markdown for formatting

*italic text* for italic text

**bold text** for bold text

[link](https://example.com) for link